cada coisa em seu lugar, 2010-2020

cada coisa em seu lugar, 2010-2020

Um objeto que a primeira vista parece um animal mas não tem vida. O olho de vidro, a matéria gasta, a composição da imagem denunciam o presença de um objeto, que parece o animal que já foi.

Na tentativa de fazer uma fotografia de registro, isenta de interpretação, no fundo branco fico na dúvida se é a prova de um animal que existiu ou se é a fotografia da prova de existência.

O processo de taxidermia, retira a pele do animal sem vida e a transfere para um manequim de poliuretano, no mesmo formato do corpo vivo.

Assim como a fotografia, a taxidermia nos induz a uma verdade construída, e se o corpo de poliuretano onde a pele agora reside não fosse igual ao de onde ela foi retirada ?

A única certeza é que aquela pele existe sobre um manequim, como na fotografia o fotografado existiu, mas todo o resto é construído pelo observador.

 

Hugo Curti é artista visual que explora na sua pesquisa artística diversas modalidades artísticas contemporâneas (pintura, joalheria, fotografia, gravura, instalação,..) trazendo e projetando desde ela a interdisciplinaridade – Geólogo de formação. Suas construções visuais manifestam a constante atualização e aplicação de referencias de outras áreas do conhecimento: acompanhou o trabalho de diversos profissionais, como taxidermista, físicos, biólogos, engenheiros, por exemplo. A reutilização, inserção e projeção de novos significados dessas “coisas do cotidiano”, quase sempre fotografadas, traz para si uma vontade de querer ir além dos discursos tradicionais que têm força no lugar comum; ativando a imaginação e a capacidade para elaborar fabulações como gerador de novos conhecimentos. Tem traçado sua caminhada artística a partir da concretização mutável de hipóteses não convencionais sobre a humanidade e seu entorno e as relações sociais, econômicas, históricas e politicas do individuo com a natureza e consequentemente outras decorrências desse ato critico materializado em ARTE.

Deixe uma resposta